Nazi dinamarquês doador de esperma pode ter participado em projeto de reprodução na Suécia

Nazi dinamarquês doador de esperma pode ter participado em projeto de reprodução na Suécia

Descendentes de um antigo nazi dinamarquês, que foi doador de esperma frequente na Suécia na década de 1960, suspeitam que podem ter feito parte de um projeto racial ideológico secreto, segundo um documentário da televisão pública dinamarquesa DR.

Lusa / Adicionar como fonte informativa
O Hospital Karolinska afirmou não ter documentação sobre Walther Frisch | Sinikka Halme via Wikimedia Commons

O antigo soldado nazi dinamarquês Walther Frisch, doador de esperma frequente na Suécia na década de 1960, é o pai biológico confirmado de, pelo menos, 15 pessoas, mas os descendentes suspeitam que o número de crianças poderá ascender a dezenas, no âmbito de um programa secreto, de acordo com o documentário "O mistério do doador nazi dinamarquês".Segundo o documentário, exibido na segunda-feira pela televisão pública dinamarquesa DR, Walther Frisch alistou-se no corpo de combate das SS hitlerianas e cumpriu um ano de prisão após a guerra na Dinamarca.

Acabou por se mudar para a Suécia, onde se casou e exerceu várias profissões, além de ser um doador habitual de esperma no Hospital Karolinska, em Estocolmo, apesar de, na altura, já ter ultrapassado os quarenta anos de idade.

A idade invulgarmente elevada para um doador e o facto de outro ex-soldado nazi, o sueco Lars Ove Cassmer, ter trabalhado como professor de ginecologia e investigador no mesmo centro universitário na mesma altura, aumentam as suspeitas dos descendentes de que Frisch pudesse fazer parte de um programa secreto, pelo que pediram explicações ao Karolinska.

Testes de ADN confirmaram já a paternidade de Frisch em relação a, pelo menos, 15 pessoas na Dinamarca, Alemanha, Finlândia e Suécia, cujas mães foram inseminadas no Karolinska, que na altura era um instituto pioneiro neste tipo de tratamentos.No entanto, ninguém sabe quantas crianças foram concebidas por meio das doações de Walther ao longo dos anos e, até 1985, os doadores permaneciam anónimos na Suécia.

Para descobrir a paternidade ou a maternidade por meio de doação é necessário fazer um teste de DNA e poucas pessoas fizeram esse teste, pelo que descendentes do antigo nazi acreditam que podem ter mais de 100 meio-irmãos biológicos.

"Não se pode evitar pensar no pior, que o fez por motivos ideológicos. Esperemos que a nossa teoria esteja errada, mas cabe ao Karolinska provar qual foi o motivo para recorrer ao Walther tantas vezes", declarou à DR Thomas Rasmussen, um dos descendentes ouvidos no documentário.

O Hospital Karolinska afirmou não ter documentação sobre Walther Frisch, nem que comprove o envolvimento do ex-nazi Lars Ove Cassmer, mas considerou "completamente inaceitável" e profundamente antiético a escolha de doadores quando motivada por ideologia.

Um porta-voz do centro declarou à DR que, naquela época, os médicos do Karolinska podiam desenvolver projetos privados no hospital, o que pode explicar a ausência de registos de doações de esperma nos seus arquivos.

Walther Frisch morreu em 1992 e manteve-se apoiante da ideologia nazi até ao fim, segundo familiares da mulher com quem casou na Suécia, que contam que até no funeral apareceram pelo menos quatro homens mais velhos, fardados, que prestaram continência ao corpo e leram um texto contra o Estado de Israel e de orgulho pelo trabalho que fizeram em conjunto.

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